quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PROJETO MACAMBIRA-ANICUNS - LUTA E REALIDADE: EXPECTATIVA DA COMUNIDADE

               Quando criança, ainda começando a me entende por gente, na pequena e saudosa São Desidério, cidadezinha do longínquo sertão da Bahia, sempre que ouvia meus pais falarem que íamos passear em algum lugar, perguntava-lhes quando iríamos. Respondiam sempre da mesma forma: “semana que entra, se Deus quiser”.
                Daí vinham dias de agonia, pois eu queria muito passear, mas ficava me perguntando: e se a semana não entrar? E se Deus não quiser? Vivia momentos de pura ansiedade, ante a expectativa da alegria de poder visitar meus tios e brincar com meus primos.
                Hoje, minha comunidade e eu, como quando criança, vivemos momentos de ansiedade e esperança quanto à implantação do projeto do Parque Macambira-Anicuns.
                De concreto até agora, algumas desapropriações, onde os desapropriados não ficaram satisfeitos, e audiências públicas, que esbarram na expectativa da aprovação – ou não – por parte do BID do financiamento do projeto.
                Andando pela minha comunidade, visitando e conversando com as pessoas, noto que todos aguardam ansiosamente o início da implantação do projeto. No Faiçalville, cuja magnífica reserva natural um dia foi alvo de tentava de doação aos antigos moradores do local onde hoje se situa o Parque Areão, encontro pessoas como a Dona Helena Cursino, e o pequeno comerciante Simão, entusiastas e que aguardam ansiosamente poder desfrutar da pretensa qualidade de vida e moradia que o Macambira-Anicuns vai proporcionar.
São pessoas que sempre ajudaram a preservar o meio ambiente e lutaram muito pela integridade da reserva  de mata natural do Faiçalville. E o que sabem do Projeto é o que de forma regular aparece na televisão ou nos jornais.
Sempre que tomo conhecimento de algum  evento que envolva o projeto, estou presente e procuro dar minha cota de colaboração, participando do debate e das discussões de interesse da minha comunidade.
Preocupa-me a ocupação imobiliária desenfreada, com a construção de arranha-céus residenciais na parte fronteiriça à nascente do Córrego Cedro, que é de onde se iniciará o Projeto Macambira-Anicuns. Tanta densidade populacional não será prejudicial ao meio-ambiente?
Vivemos hoje a luta de todos. Luta para que se torne realidade e se efetive o inicio das obras. Como crianças, aguardamos – minha comunidade e eu – esse benefício que se prolongará para as próximas gerações de minha bela cidade.

sábado, 1 de outubro de 2011

SAÚDE DEVE COMEÇAR EM CASA


É comum ver na imprensa escrita e televisiva pessoas reclamando diariamente dos problemas na área de saúde que ocorrem na região metropolitana de Goiânia. Problemas esses que, aliás, ocorrem em todo o brasil. Mas parece que em Goiânia está mais acentuado.
                As dificuldades do setor saúde foram agravadas por ocasião de uma greve de médicos que, segundo autoridades municipais, inclusive o próprio prefeito Paulo Garcia, teria motivação política. Caso se confirme, considero inconcebível fazer pressão política envolvendo a vida da população.
                Desde criancinha todos ouvem a velha cantilena da falta de recursos pra saúde. Quando criaram a famigerada CPMF, que nasceu de uma ideia que tinha outros fins - o do imposto único – esperava-se que definitivamente cessassem os problemas crônicos da falta de recursos e atendimento de qualidade na saúde.
                Não foi o que se viu. De uma hora para outro a CPMF começou a arrecadar mais e mais, e o olho gordo do governo federal começou a desviar seus fartos recursos pra outras áreas. Quando a partir de uma manobra orquestrada pela oposição – incluído aí o Senador Demóstenes Torres – a lei que instituía a CPMF não foi renovada a tempo hábil e, portanto deixou de existir. Foi uma verdadeira choradeira, o Governo Federal chegou a afirmar que o caos se instalaria no país.
                Só que a arrecadação do governo federal, não obstante crises marolentas que ocorrem vez por outra pelo mundo, cada dia aumenta mais. Falta de dinheiro não pode ser a desculpa para que pessoas morram nos Cais e CIAMS, por falta de UTI ou de atendimento medico especializado. Dinheiro pra promover uma Copa do Mundo, onde gastaram 30 milhões de reais em apenas uma manhã, por ocasião do sorteio dos grupos, fora os bilhões que estão sendo gastos em construções de estádios que, teme-se virarem elefantes brancos e não sirvam à comunidade em que estão inseridos.
                De novo o Governo Federal começou a plantar na imprensa a ideia de uma nova CPMF, agora batizada de CSS. Embora o país passe por uma situação econômica confortável, não suportará  mais impostos e taxas. Não se pode penalizar quem produz com mais esse encargo.
Pergunto: porque os postos de saúde estão cada dia mais cheios e abarrotados de pessoas doentes? De novo volto ao fato que as ações do governo precisam ser mais efetivas. O bairro em que moro e a maior parte da minha região não possuem rede de esgoto. Alguns cidadãos pensam que o esgoto é apenas mais uma taxa, para ser paga com dinheiro retirado do sempre comprometido e apertado orçamento mensal.
Em diversas ocasiões conclamei a comunidade da minha região, nos reunimos e protestamos, exigindo a implantação imediata do esgoto. Na última vez prometeram que em sessenta dias estariam começando, mas decorridos mais de cinco meses nada foi feito, sequer deram satisfação.
Precisamos acabar com a cultura das fossas sépticas. O esgoto faz com que a saúde de uma região melhore sensivelmente, que ratos desapareçam de nossas casas. E sem ratos, deixamos de correr riscos de contrair doenças como a leptospirose, provocada pela urina do rato e que é disseminada nas enxurradas provenientes das chuvas, que para nossa alegria e alívio, hão de chegar em breve.
Prevenção. Essa deve ser a palavra chave nas políticas públicas de saúde. O esgoto sanitário trará qualidade de vida e, por conseguinte, saúde. E com saúde, deixará de haver  superlotação nos postos de atendimento da cidade. Saúde tem que começar em casa.

Jonas Rocha
Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã - Força Livre, em 1 de outubro de 2011 - www.dm.com.br