Quando criança, ainda começando a me entende por gente, na pequena e saudosa São Desidério, cidadezinha do longínquo sertão da Bahia, sempre que ouvia meus pais falarem que íamos passear em algum lugar, perguntava-lhes quando iríamos. Respondiam sempre da mesma forma: “semana que entra, se Deus quiser”.
Daí vinham dias de agonia, pois eu queria muito passear, mas ficava me perguntando: e se a semana não entrar? E se Deus não quiser? Vivia momentos de pura ansiedade, ante a expectativa da alegria de poder visitar meus tios e brincar com meus primos.
Hoje, minha comunidade e eu, como quando criança, vivemos momentos de ansiedade e esperança quanto à implantação do projeto do Parque Macambira-Anicuns.
De concreto até agora, algumas desapropriações, onde os desapropriados não ficaram satisfeitos, e audiências públicas, que esbarram na expectativa da aprovação – ou não – por parte do BID do financiamento do projeto.
Andando pela minha comunidade, visitando e conversando com as pessoas, noto que todos aguardam ansiosamente o início da implantação do projeto. No Faiçalville, cuja magnífica reserva natural um dia foi alvo de tentava de doação aos antigos moradores do local onde hoje se situa o Parque Areão, encontro pessoas como a Dona Helena Cursino, e o pequeno comerciante Simão, entusiastas e que aguardam ansiosamente poder desfrutar da pretensa qualidade de vida e moradia que o Macambira-Anicuns vai proporcionar.
São pessoas que sempre ajudaram a preservar o meio ambiente e lutaram muito pela integridade da reserva de mata natural do Faiçalville. E o que sabem do Projeto é o que de forma regular aparece na televisão ou nos jornais.
Sempre que tomo conhecimento de algum evento que envolva o projeto, estou presente e procuro dar minha cota de colaboração, participando do debate e das discussões de interesse da minha comunidade.
Preocupa-me a ocupação imobiliária desenfreada, com a construção de arranha-céus residenciais na parte fronteiriça à nascente do Córrego Cedro, que é de onde se iniciará o Projeto Macambira-Anicuns. Tanta densidade populacional não será prejudicial ao meio-ambiente?
Vivemos hoje a luta de todos. Luta para que se torne realidade e se efetive o inicio das obras. Como crianças, aguardamos – minha comunidade e eu – esse benefício que se prolongará para as próximas gerações de minha bela cidade.

