É comum ver na imprensa escrita e televisiva pessoas reclamando diariamente dos problemas na área de saúde que ocorrem na região metropolitana de Goiânia. Problemas esses que, aliás, ocorrem em todo o brasil. Mas parece que em Goiânia está mais acentuado.
As dificuldades do setor saúde foram agravadas por ocasião de uma greve de médicos que, segundo autoridades municipais, inclusive o próprio prefeito Paulo Garcia, teria motivação política. Caso se confirme, considero inconcebível fazer pressão política envolvendo a vida da população.
Desde criancinha todos ouvem a velha cantilena da falta de recursos pra saúde. Quando criaram a famigerada CPMF, que nasceu de uma ideia que tinha outros fins - o do imposto único – esperava-se que definitivamente cessassem os problemas crônicos da falta de recursos e atendimento de qualidade na saúde.
Não foi o que se viu. De uma hora para outro a CPMF começou a arrecadar mais e mais, e o olho gordo do governo federal começou a desviar seus fartos recursos pra outras áreas. Quando a partir de uma manobra orquestrada pela oposição – incluído aí o Senador Demóstenes Torres – a lei que instituía a CPMF não foi renovada a tempo hábil e, portanto deixou de existir. Foi uma verdadeira choradeira, o Governo Federal chegou a afirmar que o caos se instalaria no país.
Só que a arrecadação do governo federal, não obstante crises marolentas que ocorrem vez por outra pelo mundo, cada dia aumenta mais. Falta de dinheiro não pode ser a desculpa para que pessoas morram nos Cais e CIAMS, por falta de UTI ou de atendimento medico especializado. Dinheiro pra promover uma Copa do Mundo, onde gastaram 30 milhões de reais em apenas uma manhã, por ocasião do sorteio dos grupos, fora os bilhões que estão sendo gastos em construções de estádios que, teme-se virarem elefantes brancos e não sirvam à comunidade em que estão inseridos.
De novo o Governo Federal começou a plantar na imprensa a ideia de uma nova CPMF, agora batizada de CSS. Embora o país passe por uma situação econômica confortável, não suportará mais impostos e taxas. Não se pode penalizar quem produz com mais esse encargo.
Pergunto: porque os postos de saúde estão cada dia mais cheios e abarrotados de pessoas doentes? De novo volto ao fato que as ações do governo precisam ser mais efetivas. O bairro em que moro e a maior parte da minha região não possuem rede de esgoto. Alguns cidadãos pensam que o esgoto é apenas mais uma taxa, para ser paga com dinheiro retirado do sempre comprometido e apertado orçamento mensal.
Em diversas ocasiões conclamei a comunidade da minha região, nos reunimos e protestamos, exigindo a implantação imediata do esgoto. Na última vez prometeram que em sessenta dias estariam começando, mas decorridos mais de cinco meses nada foi feito, sequer deram satisfação.
Precisamos acabar com a cultura das fossas sépticas. O esgoto faz com que a saúde de uma região melhore sensivelmente, que ratos desapareçam de nossas casas. E sem ratos, deixamos de correr riscos de contrair doenças como a leptospirose, provocada pela urina do rato e que é disseminada nas enxurradas provenientes das chuvas, que para nossa alegria e alívio, hão de chegar em breve.
Prevenção. Essa deve ser a palavra chave nas políticas públicas de saúde. O esgoto sanitário trará qualidade de vida e, por conseguinte, saúde. E com saúde, deixará de haver superlotação nos postos de atendimento da cidade. Saúde tem que começar em casa.
Jonas Rocha
Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã - Força Livre, em 1 de outubro de 2011 - www.dm.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário